Apesar
dos trilhos aqui da zona de Tomar serem do best
para a prática BTT, às vezes temos que mudares de ar … e para isso nada melhor
que levar uma lufada de ar fresco vindo do Oceano Atlântico! Foi o que
aconteceu no passado Domingo (23.06.2013), quando me desloquei à cidade
costeira da Figueira da Foz (mais precisamente à localidade de Buarcos), para
participar em representação dos BTT100Stress na 2ª edição da Maratona Cruz
Vermelha da Figueira da Foz em BTT.
A
prova apresentava à escolha dos BTTistas duas distâncias distintas: A Maratona
de 70Km e a Meia-maratona de 40Km. Pois… Não iria fazer cerca de 220 Km de carro para ir
fazer os 40km, pelo que as dúvidas ficaram logo desfeitas no acto da inscrição
quando, optei pelos 70Km. Para já não falar que segui a risca o lema do nosso
amigo Joel: “Meias é para os pé…. ”.
Portanto siga…
Depois
de 1:15h de viagem desde Tomar lá cheguei a Buarcos por volta das 9:00, mesmo a
tempo de levantar o dorsal (34) e preparar a montada! O tempo estava encoberto
e a temperatura estava mesmo no ponto… fresquinho qb mas agradável para
pedalar.
Na
zona da partida os participantes da Maratona tiveram direito a uma box que os
colocou à frente do maranhal (cerca de 200) da Meia-Maratona (considero esta
opção muito positiva) De salientar que só alinharam para o percurso maior 29
atletas. Desde o início das inscrições achei estranho a fraca adesão para os
70Km, mais tarde vim a compreender o porquê desta opção! Eheh!
Depois
de um curto briefing dado pela organização (Cruz Vermelha Portuguesa) a partida
foi dada às 9:34h no forte de Buarcos, tendo como pano de fundo a Praia da
Claridade com o seu imenso areal branco e o mar a fechar o horizonte! Ambiente
fantástico…
Depois
de 1km em alcatrão, o pessoal lançou-se então Serra acima por um estradão, que
fez com que o pelotão alongar. Da minha parte comecei forte e ataquei a subida
inicial a bom ritmo o que me permitiu chegar ao cimo da Serra da Boa Viagem de
forma a não ter problemas de afunilamentos com pessoal nos trilhos mais
técnicos que se seguiram.
Na
Serra começou o BTT puro e duro com single-tracks, estradões, trilhos muito
técnicos num sobe e desce constante que não deixava o pessoal ganhar fôlego.
Com o passar dos Km’s a vegetação começou a ficar cada vez mais rasteira, o que
era indicador que o mar estaria por perto! Como não conhecia o terreno ia na
defensiva com um bom ritmo de pedalada, mas nada de entrar em exageros nas
descidas. A descida para o Cabo Mondego (paisagem magnífica, prejudicada com o
algum nevoeiro que se fazia sentir), foi feita a todo o gás por entre singles e
estradões de pedra solta.
Neste
momento já tinha sido ultrapassado por alguns participantes da meia-maratona,
apesar de naquele momento me sentir confortável e ter pernas para os
acompanhar, pensei nos 50km e que ainda vinham pela frente… E resolvi ir ao meu
ritmo e gerir o esforço…
Serra
acima novamente, entrou-se novamente em mato/floresta densa com longos Km’s em
single tracks, alguns aproveitando as pistas de down-hill que a serra possui. Já
depois de passar pelo 1º abastecimento do dia (Km 19), cada vez se via menos
pessoal nos trilhos e a cerca de 1Km para a divisão dos percursos (Km 28),
juntei-me a um participante que também ía para a maratona – Rui Silva, com o
qual tive o prazer de fazer todo o resto (34 Km’s) do percurso.

Depois
da separação o terreno mudou um pouco, apresentando-se mais areoso e com alguma
pedra solta à mistura mas a dureza continuava. Mais uma pista de down-hill onde
tive um encontro de 1º grau com o chão (nada de grave), e foram largos Km’s sem
ver ninguém onde o dueto seguia em plena cavaqueira e a curtir os trilhos. O 2º
abastecimento tardava em aparecer e o meu companheiro de viagem já dizia mal da
vida. O pessoal confia na organização que diz que existem abastecimentos sólidos
e líquidos e veêm de mãos a abanar… Pois pois, Lá tive que ceder uma das minhas
barras energéticas ao Rui, para ele não desfalecer.
Se
alguém da organização tiver a oportunidade de ler este relato fica só uma
chamada de atenção para a colocação, a meu ver algo tardia (km 46) do 2º
reforço. Para já não falar que deveriam existir pontos de água distribuídos ao
longo do percurso e não só nos reforços!!!. Lá fizemos uma paragem no 2º
reforço onde aproveitámos para encher os cantis e comer qualquer coisa.
A
partir daqui tínhamos mais uma vez que subir a Serra até às éolicas que foi
feito por entre trilhos e singles com muita pedra a lembrar a Serra D’Aire e
Candeeiros. Chegados à localidade que dá nome à Serra da Boa Viagem, depois de
alguns metros em alcatrão, começamos a descer a encosta por um trilho algo
técnico que nos deixou já no centro de Buarcos, com a meta à vista.
Terminei
os 62,1 Km
lado a lado com o Rui depois de 4h:33m a pedalar com um sorriso nos lábios e com
a sensação de missão cumprida. Obrigado Rui pela companhia!
Com
o banhinho tomado (por sinal bem frio) estava na hora de começar outra
verdadeira maratona – deitar abaixo uma enorme travessa de sardinhas assadas
magnificamente servidas pelo Restaurante Núcleo do Sporting na Figueira da Foz o qual recomendo a qualquer
pessoa que aprecie peixe grelhado e se desloque à Figueira da Foz. Muito bom….
Termino
em jeito de desafio aos 100Stress para um dia nos deslocarmos à Figueira da Foz
para comer uma bela de uma sardinhada e claro para pedalar um pouco pelos belos
trilhos que a Serra da Boa Viagem possui!
Um
abraço e fortes pedaladas…
João
Carvalho